domingo, 1 de março de 2009

Requiem Contemplativo




Percorro as ruas ao sabor do vento frio de Inverno... um vento capaz de congelar pensamentos e corações...

Olho em redor... vejo pessoas caminhando nos passeios... tantas pessoas... cada uma fechada no seu próprio pequeno universo...
Pergunto-me no que estarão a pensar... não parecem estar a pensar em nada. Olhares vazios, sem fundo...
O vento frio levanta-se mais forte castigando os caracóis do meu cabelo... obriga-me a semicerrar os olhos e a alma.
Continuo a caminhar sem destino... vagamente.
Continuo a olhar para as pessoas... vagamente.
Imagino a morte de cada uma delas... Tudo é tão efémero... tão passageiro...
Daqui a cem anos nenhuma delas estará viva. Será que sabem isso?? Oh, eu sei que sabem! Mas será que têm ESSA consciencia? Passam-me diante dos olhos centenas de funerais, milhares de lágrimas...
Eu... eu daqui a cem anos não estarei viva.
Daqui a cem anos já ninguem se lembrará de que eu alguma vez existi...

Subjugação


Logo depois de casar, largou o emprego para se dedicar inteiramente á casa e ao marido. Vivia para lhe agradar, para o servir, fazendo tudo para se tornar indispensável.
Obcecada pela perfeição e por aquele amor, preparava cada refeição como se fosse um banquete, cada camisa que passava era tratada como uma escultura de arte, lavava, esfregava, perfumava, floria… A casa estava sempre num brio tal, que parecia que ninguém lá habitava.
O marido era incólume a toda esta dedicação e afecto. Olhava para tudo friamente, nunca satisfeito com nada e sem lhe dirigir em vez alguma uma simples palavra de apreço. Para ele as camisas tinham sempre as golas mal passadas, as calças tinham sempre os vincos tortos, as gavetas estavam sempre em desordem, a comida estava sempre salgada ou insonsa e os bolos ficavam sempre muito enqueijados ou então muito secos.
Ela encolhia-se perante a dureza dos seus comentários… e o seu coração foi mirrando ao mesmo tempo que os anos foram passando.
O quadragésimo aniversário do marido estava a chegar e ela empenhou-se em tornar a ocasião mais especial que nunca.
Comprou um lindo vestido de seda vermelho para a ocasião e passou duas horas no cabeleireiro a dar uma nova vida aos seus longos cabelos dourados.
Preparou o prato favorito dele, Cordeiro no Forno, medindo cada condimento á milésima de grama. Fez um bolo de quatro camadas com um talento tal, que parecia feito por um pasteleiro profissional. Pôs uma toalha branca bordada na mesa com um jarro de flores ao centro e castiçais com velas em cada canto. Com as economias de quase um ano, comprou um magnífico relógio para oferecer ao marido, que segundo as palavras do próprio relojoeiro, se travava de “uma maravilha da tecnologia”.
Tinha demorado todo o dia a preparar aquele jantar para que ficasse perfeito… está exausta mas feliz, contente com o resultado obtido.
Sente o marido chegar e olha-se mais uma vez ao espelho… gosta do que vê e apressa-se a ir ao seu encontro.
Olha-o com uma devoção de cachorrinho assim que ele entra na sala. “Parabéns amor!” e estica-se para lhe dar um beijo que ele aceita distraído ao mesmo tempo que pendura o casaco. Olha para ela, “Que roupa é essa? Sabes que o vermelho te faz mais gorda!”. Ela crava os olhos no chão, envergonhada. Talvez faça. Sim, é claro que o vermelho a faz mais gorda. Que tonta foi em ter escolhido um vestido daquela cor.
Ela entrega-lhe o embrulho com um olhar tímido mas ao mesmo tempo seguro e com a alegria imensa da certeza de que ele vai adorar o presente. Ele desembrulha-o desajeitadamente: “Ah, um relógio! Sabes que já tenho três. Não havia qualquer necessidade de me teres comprado outro.” Ela pede desculpa e sorri nervosamente, tentando disfarçar a desilusão.
“Vem jantar. Fiz o teu prato favorito! Tens fome?”, ele responde que nem por isso… lanchou tarde…
Senta-se á mesa algo entediado. “Com estas velas aqui não consigo ver a televisão como deve de ser. Tens cada ideia mais disparatada! Tira-as da mesa se faz favor” Ela tira. “Estas flores são muito perfumadas! Mas que chatice! Não vou conseguir comer com este cheiro! Tira-as daqui se faz favor”. Ela tira.
Olha de relance para o bolo de aniversário pousado em cima do balcão da cozinha. “Aquilo é cobertura de morango? Sabes que detesto morango!”. Ela engole em seco, afogando as lágrimas, “Eu raspo a cobertura então” diz com um esgar de dor disfarçado de sorriso. Não sabia que ele não gostava de morangos, aliás, podia jurar que já o tinha visto comê-los por diversas vezes. Os músculos retesam-se e o olhar fica sombrio.
Pousa a travessa de cordeiro na mesa, da qual emana um cheiro delicioso e serve-o. Ele leva uma garfada á boca: “Está salgado!”. Nesse momento algo se quebra dentro dela, como uma corda que é esticada ao limite… essa frase fica a ressoar-lhe dentro da cabeça… “está salgado… está salgado… “
Levanta-se, como que em estado de hipnose, abre a gaveta dos talheres e pega na faca de trinchar. “Olha para mim!”, ordena ao marido. Ele volta-se, surpreendido pelo tom autoritário da voz dela. Ela levanta a faca no ar e com uma precisão cirúrgica crava-a na jugular. O sangue jorra em repuxo e ela cai, ficando deitada de costas enquanto o seu sangue quente se espalha sobre os imaculados azulejos brancos.
O marido fica sentado á mesa, olhando-a em silêncio enquanto a vida da mulher se apaga. Não move um músculo, apenas observa placidamente.
Volta-se para a comida e leva mais uma garfada á boca. Surpreende-se. Está de facto uma delícia! Come avidamente e repete duas vezes. Levanta-se da mesa e dá uma passada larga por cima do corpo da mulher, tentando evitar a cada vez maior mancha de sangue e dirige-se ao bolo. Come uma fatia. Deliciado, come outra.
Vai até ao quarto para mudar de roupa. Não quer receber a polícia com as roupas no típico desalinho do fim de um dia de trabalho. De todas as calças e camisas alinhadas na perfeição, escolhe duas peças, ”Sim sim… impecável… hm hm”
Volta para a cozinha e olha mais uma vez de relance para o corpo sem vida da mulher naquele charco de sangue.
Pega no telefone e disca um número, “Estou, D. Lurdes? Ouça, não vai acreditar no que a sua filha acabou de fazer…”

O Jardim


O Dr. Afonso vivia desde sempre naquela pequena mas nobre cidade, escondida por trás de montes inóspitos e esquecida do resto do mundo. Todos os habitantes viviam segundo as mais rígidas regras de moral e decoro e qualquer escândalo pessoal que pingasse para o conhecimento do publico consternava toda a população, enquanto que, paradoxalmente, fazia as delícias de qualquer lanche da tarde, em que grupos de amigas se reuniam para comerem pastelinhos com creme entre chávenas de chá perfumado e gargalhadinhas maliciosas.
Quatro anos antes, o Dr. Afonso sobrevivera ao escândalo social e ao repudio geral quando a sua esposa Violeta o abandonara levando consigo ambos os filhos do casal. Rosa de cinco anos e Jacinto de dois. Desapareceram os três da noite para o dia e ninguém duvidava que D. Violeta tinha fugido para o estrangeiro com um qualquer amante secreto.
O facto de ser de famílias nobres e antiquíssimas garantia ao Dr. Afonso o status de partido muito requisitado pelas mais belas donzelas da cidade. Tanto não fosse pelas suas origens, a sua enorme fortuna teria bastado.
No entanto ele parecia muito pouco ou nada interessado em voltar a casar. Isolou-se no seu palacete secular de onde recusava amavelmente os convites para eventos sociais e de onde só saía para atender pacientes no seu consultório no centro da cidade. Nada dava mais prazer a este homem que sentar-se num dos varandins da casa enquanto contemplava o seu magnífico e magistral jardim que florescia de forma frondosa e inexplicável e em que as espécies de flores e plantas eram tantas que se ficava inebriado só de olhar.
Tinha enfrentado o desaparecimento da mulher com uma altivez e uma compostura surpreendentes e todos lamentavam a sorte daquele homem de bondoso, que trabalhava apesar de não precisar de o fazer e que a maioria dos pacientes que tinha eram pessoas de parcas posses ás quais não cobrava consulta, salvando assim muitas vidas naqueles tempos em que as doenças fomentavam e as hipóteses de cura eram escassas.
Certo dia chega á cidade uma nova professora primária, a D. Íris, com sua filha Margarida de quatro anos. Ainda não tinha trinta anos e já era viúva, tendo ficado nessa condição quando o marido partiu para o Brasil na esperança de voltar com fortuna, mas que morreu no próprio dia em que chegou ao país, trespassado pela seta de um índio foragido e selvagem.
De uma beleza simples mas extraordinária, a D. Íris era de gostos requintados mas sem exigências e dona de uma personalidade dócil e de grande sentido moral.
O Dr. Afonso reparou imediatamente nela, e ela, por sua vez, reparou imediatamente no bondoso médico.
Eram de personalidades compatíveis e de gostos similares. Assim que se conheceram tornaram-se inseparáveis. Três meses após se terem visto pela primeira vez, ficaram noivos e um ano depois estavam casados. No dia do casamento o que mais se comentava entre sussuros era o facto do quanto D. Íris era parecida com a desaparecida D. Violeta. A pequena Margarida, coroada de flores saltitava feliz á volta da mãe, com uma adoração que enternecia os convidados.
D. Íris adorava o novo marido. Adorava a sua nova casa com o seu fértil jardim e em que ás vezes se perdia por entre os jacintos e as rosas que cresciam por todo o lado... e adorava toda a rotina daquele antigo palacete mantido com regras rígidas por uma pequeno batalhão de empregados silenciosos e corteses.
Vivia feliz com a sua filha que tinha encontrado no Dr. Afonso um novo pai e não se tinha arrependido em qualquer momento por ter dado aquele passo na vida.
Várias vezes surpreendia o marido sentado á janela a contemplar o jardim, numa enorme cadeira-de-baloiço e de ar ausente, como que hipnotizado por algo. Assustava-se com aqueles olhos sem vida e depressa o trazia á realidade abanando-o com violência até ele sair do transe, "Um dia destes não voltas!!" dizia-lhe ela nervosamente. Ele descansava-a puxando-a para si e dando-lhe um beijo terno na testa.
Certo dia, andava D. Íris a explorar a casa, quando se deparou com uma porta que não conseguia abrir e da qual ninguém parecia ter chave. Considerava aquela casa como sua também e o facto de existir um quarto em que não conseguia entrar começou a consumi-la por dentro. Pediu a um dos empregados para chamar um serralheiro, mas este recusou-se, defendendo-se dizendo que só o faria com ordens do patrão e que aquele quarto, até ver, era interdito a todos por ordem do próprio Dr. Afonso, e que o melhor seria que se ela mesma lhe pedisse a chave.
Ela abordou o marido ao jantar a respeito do assunto, mas só obteve da parte dele um olhar velado e de quase ódio, que ela nunca tinha visto antes. Estremeceu um pouco e foi-se sentido cada vez mais consternada durante todo o jantar, pois o marido remeteu-se a um silencio frio e insondável.
Apartir daquele dia o marido mudou radicalmente de atitude, tornado-se distante e ácido e a entrar mais vezes do que nunca naquele transe hipnótico da sua cadeira-de-baloiço.
Refugiou-se na pequena Margarida e passava todos os minutos que podia com aquela criança, pequenina e frágil, tendo a certeza de que o único amor de que se pode ter garantia nesta vida, é o de entre uma mãe e uma filha.
Alguns dias depois, enquanto levava alguns dos seus pertences para o sótão, deparou-se com um pequeno móvel poeirento e que parecia mais velho que a própria casa. Ao baixar-se para abrir uma das gavetas, tropeçou e embateu numa das quinas do móvel, fazendo abrir um pequeno compartimento secreto. Isso não a surpreendeu pois aquele género de artimanhas eram muito vulgares na época, sendo uma forma muito prática de se guardarem jóias ou documentos valiosos. Porém aquele compartimento tinha apenas uma chave envolvida num pedaço de veludo e D. Íris soube imediatamente que se tratava da chave desaparecida daquele quarto que tanta curiosidade lhe causava. Enfiou-a no decote por entre as rendas do espartilho que a sufocavam mais do que nunca e desceu as escadas.
Nessa noite, esperou que Margarida adormecesse no seu quartinho branco e lavanda. Beijou-lhe a face e retirou-se para o seu quarto. O marido estava a ler, deitado na cama, com aquele seu novo ar frio e distante. Ela fingiu-se adormecer e assim que ele apagou a candeia e adormeceu, ela abriu os olhos na escuridão com a chave apertada entre as mãos, aguardando pacientemente que todos os empregados se deitassem.
Quando deixou de ouvir qualquer som e toda a casa se imobilizou de vida, ela levantou-se da cama e o mais silenciosamente possível, pegou numa vela e saiu percorrendo todo o percurso até ao misterioso quarto por puro instinto, pois apesar de a lua estar cheia, havia muita nuvem no céu e a escuridão era total. Chega á porta aos apalpões, com o coração a latejar tão forte no peito, que ela por momentos julgou que ia acordar toda a gente na casa só com o seu bater.
A chave entra imediatamente na fechadura e ao contrário do que ela previra, a fechadura abre sem o menor ruido, como se fosse manteiga. Uma vez lá dentro, acende a vela, e por entre o cheiro a mofo depara-se com cerca de uma dúzia de baús enormes. Com os nervos desfeitos e derrepente inundada de um medo aterrador, começa a abrir os baús, um por um. Lá dentro encontra roupas de criança... imensas roupas para todas as ocasiões e estações do ano. Dois dos baús estão cheios de brinquedos de menina e de menino, desde bonecas de porcelana de vestidos aos folhos a bolas e piões. Fica atónita, sem entender. Ela sabe que a anterior esposa do marido fugiu, jamais poderia ter levado todos os pertences dos filhos na fuga, mas ainda assim, sente-se atingida por uma onda de terror instintivo. Sem conseguir parar, continua a abrir baús, estes com finas roupas de senhora. Sente um nó na garganta ao verificar que um dos baús tem como conteúdo unicamente trajes de viagem. Num deles encontra uma caixa de madeira trabalhada cheia de jóias. Anéis de brilhantes, gargantilhas dignas de qualquer princesa das cortes mais abastadas, pregadeiras forradas a pedras preciosas e um não acabar de jóias de preço que ela nem de longe podia calcular. Nenhuma mulher no seu perfeito juízo fugiria de casa sem levar pertences tão valiosos.
Sente-se desfalecer e corre para fora da casa... precisando de ar puro que inspira vigorosamente enquanto corre sem destino por entre o jardim perfumado. Quase na mais completa escuridão, tropeça numa raiz de árvore. Fica ajoelhada no chão tentando perceber o que aqueles baús num quarto fechado podem querer dizer. Subitamente e como que por magia, uma nuvem deixa a lua cheia a descoberto, e ela na súbita claridade levanta os olhos. À sua frente estão três canteiros majestosos e meticulosamente cuidados. Um era de violetas, outro de jacintos e o terceiro de rosas. Ela naquele instante percebe tudo! Os olhos arregalam-se de horror e da sua garganta começam a sair gritos que lhe pareciam ser de outra pessoa. Na ala dos criados as janelas dos quartos começam a iluminar-se uma a uma e vultos começam a assomar ás janelas, olhando imóveis e sem expressão.
Ela grita cada vez mais e começa a correr em direcção á casa. Quer ir buscar a pequena Margarida e fugir para longe... para o mais longe que puder. Corre sempre aos tropeções no meio de todas aquelas flores. Sente-os a olhar para ela. Porque é que ninguém a ajuda??? Ela não entende.
A alguns metros da casa cai e bate com o queixo no chão que começa a sangrar violentamente. Ao levantar a cabeça e a única coisa que vê é o Dr. Afonso com um machado erguido e de olhos vazios e lábios cerrados.
No ano seguinte, ao lado dos canteiros de violetas, jacintos e rosas erguem-se outros dois, um de íris e outro de margaridas.

Entre Mundos



Todas as noites ela se deita à meia-noite. Nem um minuto antes... nem um minuto depois... Mergulha na doce calma acetinada dos lençóis e deixa-se adormecer placidamente.
Todas as noites ele espera pacientemente que ela adormeça. Quando ouve a sua respiração regular, de quem partiu para o mundo dos sonhos, entra no quarto, calçado de nuvem, e sem um som, aproxima-se da cama e senta-se ao seu lado. Contempla o rosto dela que quase sempre dorme a sorrir... e olhar aquele sorriso, fá-lo sorrir também.
Com as pontas dos dedos percorre ao de leve as suas faces e as madeixas soltas de cabelo que se espalhavam rebeldemente pela almofada.
Debruça-se sobre o seu rosto e sussurra-lhe doces palavras ao ouvido. Ela sorri ao ouvir essas palavras, que a ela lhe chegam em forma de sonho.
Ele levanta-se num impulso quase religioso e percorre todo o quarto... com gestos de quem já o fez mil vezes e de quem o vai fazer mil vezes mais.
Toca nas suas roupas penduradas no armário... abre cada uma das gavetas e acaricia as roupas dobradas. Dirige-se à cómoda... contempla os brincos favoritos dela, as pulseiras... os anéis... Pega no pequeno frasco de perfume lilás semi vazio. Sente o frio do vidro nas suas mãos e inspira um pouco daquela essência adocicada que o faz desejar beijá-la mais do que nunca...
Olha de relance para a cama, a respiração regular dela faz com que o peito levante os lençóis para cima e para baixo, quase imperceptivelmente.
A noite passa devagar, sem pressas, como se o próprio tempo tivesse adormecido também.
Como todas as noites ele permanece ao lado dela, tocando-lhe ocasionalmente na mão adormecida ou na face, percorrendo todo o ângulo e terminando na linha do pescoço. Deseja ardentemente que aquela noite não acabe nunca e que aquele momento permaneça para sempre congelado no tempo.
A madrugada, que aos olhos dele é algo de aterrador, acaba inevitavelmente por chegar...
Ele inclina-se resignado e encosta os seus lábios suavemente aos dela. "Até logo à noite", sussurra em jeito de despedida. Ela sorri e aconchega-se mais um pouco.
Quando o primeiro raio de sol penetra no quarto... já ele se foi embora... silencioso... calçado de nuvem.

E quando...



E quando a raiva nos tolda a visão... e tudo é sangue e desespero e angústia...
E quando o resto do mundo deixa de existir... e ficamos sós num quarto fechado sem janelas e sem ar... entregues à nossa insanidade...
E quando batemos de punhos cerrados numa parede... que não cede nunca, por mais que a esmurremos...
E quando caminhamos pelas ruas levitando... sustentados no ar pelo pelo nosso próprio ódio...
E quando tudo é escuridão e as palavras nos envenenam a alma e nos afogam a razão...
E quando...